Monday, March 31, 2008

Sobre a Câmara

É verdade que a recuperação do monumento envolve uma série de tomadas de decisão e de tarefas que ultrapassam, ou vivem perfeitamente em paralelo, com aquilo que possamos projectar para o sítio depois de realizado esse trabalho de recuperação. Creio que sim.
Sobre essa tarefa, que se enquadrará bem mais no âmbito do discurso da arqueologia, gostaria, contudo, de salientar um ponto com a seguinte pergunta: o que nos deverá esperar no interior da câmara (depois da reconstrução)?
Que respostas temos nós que nos permitam tomar opções e em que tipo de registo deveremos situar a comunicação? Vamos recriar um ambiente mais ou menos realista? E baseados em que circunstâncias? Vamos fazê-lo usando tecnologia do nosso tempo, sem preconceitos?
Estou em crer que este aspecto, bem como toda a encenação exterior (mamoa e átrio), deverá receber atenção máxima e intervenção mínima.

Thursday, March 27, 2008

Discutir Ideias

A land art é o actual melhor veículo para construir um discurso sustentado com vista à consciencialização de uma gestão inteligente do património, e à problematização das questões éticas sobre a paisagem, a construção social da paisagem, a monumentalização, a mobilidade, etc.
Esta é uma opinião muito pessoal.

Wednesday, March 26, 2008

Que fazer?

Apesar de se tratar de um monumento de excepcional valor patrimonial (noção que creio ser partilhada tanto pelos especialistas como pela generalidade dos visitantes) a Anta Grande do Zambujeiro tem vindo a ser ciclicamente votada ao abandono por parte das instituições responsáveis.
O seu estado de degradação estrutural resulta, a meu ver, de diversos factores, de ordens diversas:
1, os factores de ordem natural, nomeadamente:
a) a alteração natural dos granitos
b) as tensões exercidas sobre os blocos pela própria estrutura; de facto, todas as antas constituem uma "provocação" à natureza, uma vez que as pedras foram retiradas dos seus contextos naturais e organizadas de forma algo instável (nos caos de blocos naturais, as pedras que ficam sujeitas a tensões, acabam frequentemente por fracturar e adoptar posturas mais estáveis; todos os edifícios humanos acabam por ruir, por razões idênticas.
c) fragilização resultante das alterações ambientais criadas pelo desmonte da mamoa.
2. A pressão dos visitantes, que incide sobretudo na erosão acelerada da mamoa; esta estrutura foi, aliás, exposta pelas diversas intervenções arqueológicas efectuadas na anta.
Actualmente, a cobertura metálica, os postes de alvenaria e a estrutura de madeira são remendos relativamente eficazes, em termos de retardamento dos processos de degradação; o pior é, efectivamente, a dignidade do monumento e a legibilidade do mesmo. São sobretudo problemas de foro cultural e que têm a ver com a relação que a sociedade estabelece com valores deste tipo.

A sua reabilitação passará, segundo me parece, por várias acções:
- Realização de novas sondagens que permitam:
a) resolver algumas incógnitas de que depende a genuinidade da reconstrução (como seja a existência ou não de uma carapaça pétrea, documentada em inúmeros monumentos do mesmo tipo ou a eventual posição erecta do bloco que está tombado junto à entrada do corredor), ou preparar o terreno para as intervenções de engenharia que venham eventualmente a ser adoptadas para "segurar" de forma estável as tampas danificadas)
b) consolidação da estrutura pétrea;
c) recuperação/reconstituição da mamoa; aqui levantam-se, sobretudo, questões que se prendem com a inexistência de dados fiáveis sobre a forma final que a mesma deve assumir (com ou sem fachada, em calote ou em degraus, com a pedra de fecho ser visível ou não, etc. etc.)
d) arranjo paisagístico adequado
e) definição das condições de visitabilidade (com ou sem guarda, iluminação do interior)
f) criação de material informativo

Neste momento e neste blog, todas estas questões deveriam ser discutidas; precisamos de soluções técnicas, mas também contributos de ordem estética.

Deveríamos, sobretudo, apelar à cidadania dos interessados nestes temas e sensibilizar as instituições de quem depende, em última análise, a tomada de decisão.

Tuesday, March 25, 2008

Proposta

Proponho, sem demagogias, preconceitos ou pretensiosismos, um centro cultural (termo difícil de pronunciar) para a land art (outro termo igualmente quadrado), tendo como instrumento de mediação o monumento que é a anta grande do zambujeiro.
Creio que fazer o ensaio das recuperações possíveis é um exercício complicado, e é por isso, mas não só, que me parece positivo virar o monumento para o futuro, em lugar de lhe procurar um reflexo do passado.
Não me considero irresponsável ao falar desta forma, mas acredito que o resultado final me escaparia.
A minha proposta é realmente procurar recuperar a anta grande do Zambujeiro integrando-a numa paisagem inédita e de vanguarda, um centro europeu do passado e de futuro.

Saturday, March 22, 2008

Uma doença crónica


Em 1970, Henrique Leonor Pina, o descobridor e primeiro escavador da Anta Grande do Zambujeiro, apresentou à Direcção-Geral do Ensino Superior e das Belas Artes o seguinte plano de trabalhos:

“1) Consolidação dos esteios e pedras de cobertura do corredor do monumento;
2) Reunião das partes da pedra de cobertura da anta e sua ligação sólida sobre o monumento;
3) Trabalhos de protecção contra a arenização dos megálitos da construção;
4) Consolidação da parte aberta da mamoa e do seu perímetro;
5) Melhoramento dos acessos e local de estacionamento para visitantes.”

Passaram 37 anos. Vai sendo altura, não é?