Thursday, March 27, 2008

Discutir Ideias

A land art é o actual melhor veículo para construir um discurso sustentado com vista à consciencialização de uma gestão inteligente do património, e à problematização das questões éticas sobre a paisagem, a construção social da paisagem, a monumentalização, a mobilidade, etc.
Esta é uma opinião muito pessoal.

4 comments:

Manuel Calado said...

Não duvido que se possa legitimamente relacionar a construção do monumento com os princípios e práticas que a land-art adoptou. Os neolíticos inventaram, aliás, de forma muito integrada, conceitos cartesianos como são arquitectura paisagística, arquitectura, estatuária, gravura, land-art (mas também a astronomia, a engenharia civil, etc.).
Altering the Earth
No que diz respeito ao restauro/valorização do monumento penso (agora que me fizeste pensar) que a land-art pode ter um papel ao nível do arranjo paisagístico e talvez da animação do sítio.
Agora, embora ache legítimo que a land-art se inspire na AGZ, o restauro não se deve inspirar na land-art.
A land-art é criativa e o que se pretende é recriar.
Como no desenho arqueológico: criatividade zero, excepto na qualidade da recriação.
Creio que é preferível meter a land-art na agenda da AGZ do que a AGZ na agenda da land-art.
Com todo o respeito pelos land-artistas.

voltando ao tema, o que propões em concreto?

Rafael Henriques said...

Claro, uma coisa é a recuperação enquanto trabalho teórico (e prático), outra será a vida que se pretende para o monumento.
Se em relação ao primeiro aspecto parecem não existir grandes dúvidas, deverá ser no segundo ponto que nos devemos focar.

E sobre isso escrevi também que o que me parecia interessante seria articular o monumento, a anta grande do Zambujeiro, num projecto onde a land art fosse uma mais valia, em todos os sentidos, para o monumento, o sítio e o contexto em que deverá ser pensado.

Dito de forma simples, uma mais valia pretende-se aqui que seja o melhor instrumento para a reconstrução social do sítio... Sem envolvimento, sem integração, sem adesão à causa, a recuperação só por si não levará o monumento a um melhor destino.

Rafael Henriques said...

De forma simplista. Fazer da paisagem um laboratório onde através da arte seja possível passar mensagens, é qualquer coisa próxima da minha ideia (abstracta).
Chamar a isto a criação de uma galeria de land art a céu aberto, creio que é altamente redutor, para além de que o que se pretende é recuperar, e tornar numa solução de futuro, a vida da anta grande do Zambujeiro.
Ou seja, a arte é aqui apenas um meio de apoio ao monumento.
Poderia ser outro qualquer. Venham as propostas, é para isso que existe este blog.

Quando o normal é termos os sítios encarcerados, divorciados do mundo, esterilizados, então podemos começar por ensaiar soluções que combatam esta forma de estar tão ultrapassada.

Manuel Calado said...

Ótimo, estamos mais ou menos sintonizados e a tua proposta merece aprofundamento.
Proponho que se tente fazer uma lista de land-artistas que poderíamos espicaçar para fazerem lobying a favor do Projecto.
Talvez nem fosse muito utópico captar para esse terreno algum nome grande da cena internacional...
Poderíamos eventualmente propor a organização de um Simposium de Land-Art com o objectivo expresso de produzir ideias e obras e chamar a atenção para o monumento e os problemas/soluções.
Talvez...